• Grupo Tripé

desabafo do gustavo

Quando começamos o Grupo Tripé, há 3 anos atrás, tínhamos uma única vontade, fazer teatro.

Depois de muito aprender e fazer com nosso mestre Abaetê Queiroz, achamos que era hora da gente fazer o NOSSO teatro. Naquela época, eu e Davi estávamos com 15 anos, João tinha 18/19 e a Quintas 19/20. Naquele tempo, ainda não sabíamos das problemáticas de se produzir o próprio teatro, mas sabíamos da intensa admiração e confiança que sentíamos um pelo outro. Durante 2 anos, criamos, recriamos, compomos, maturamos aquilo que viria a ser o Entre Quartos, nosso primeiro espetáculo, do qual temos um orgulho imenso e que, apesar das dificuldades, continua vivo construindo sua trajetória. Durante esses dois anos, não construímos só o Entre Quartos, mas também uma dinâmica de grupo, a dinâmica do nosso grupo, a nossa própria ética de trabalho, a qual, é bom lembrar, está em constante e eterno aperfeiçoamento. Também sobre esses dois anos, nos debruçamos sobre editais de incentivo, de festivais, mostras, o que estava ao nosso alcance, nós tentamos. Eis que, em dezembro, passamos no edital da Caixa Cultural com Entre Quartos, mas, não conseguimos patrocínio para aquilo que seria nosso segundo espetáculo. Sedentos, não podíamos parar ou esperar, era preciso dar o próximo passo. Nos reunimos com Similião e fizemos a proposta indecorosa, "Sem nenhum dinheiro, você topa nos dirigir?", e eis que ali, em um café, recebemos o maior apoio, patrocínio ou financiamento que podíamos ter, uma pessoa que, durante os meses que se deram depois, se mostrou um dos seres mais criativos, generosos, apaixonados, loucos e geniais que já trabalhei. Veio pra somar, multiplicar. Nunca aparou ou limitou nossas ambições, só as fez voar ainda mais longe. Nos deu uma verdadeira aula de como ser "independente". Independente do dinheiro, não de pessoas, é bom lembrar. Poderosa força essa a da amizade, da parceria. Pessoas, grupos e produtoras que emprestaram seus equipamentos, tecidos, instrumentos, espaços, e até as próprias mãos para trabalharem e construírem O NOVO ESPETÁCULO. Viam em nós, a dificuldade que um dia já tiveram, mas, mais importante, o tesão e o desejo de fazer, produzir, criar, vivenciar. Parece papo clichê, mas é que, podemos AINDA estar pagando pra fazer nossa arte, mas, de forma NENHUMA, ela é um hobby. Ela é a NOSSA arte, nosso TRABALHO, não passatempo. Eu sei, nós somos muito novos, nós sabemos disso, não temos vergonha disso e nem temos a pretensão de sermos aquilo que não somos. Nosso único desejo quando criamos era fazer teatro, mas, agora, 3 anos depois, vejo mais, vejo pessoas que não querem esperar certificados e cursos superiores pra começarem a produzir. Não queremos aprender pra depois fazer, queremos aprender fazendo, fazer aprendendo. Mas, se pensar bem, não somos só nós, qualquer grupo, qualquer pessoa, em constante aprendizado e, junto, constante produção.

O NOVO ESPETÁCULO, o nosso segundo espetáculo, tem como ingredientes tudo que se passou conosco, tudo que se passa com essa cidade refém de uma política anti-cultura, do olhar feio que recebemos por ainda termos espinhas na cara, do preço das pautas pra apresentação e ensaio, da dificuldade em conseguir público, da vontade muito pura de FAZER TEATRO, FAZER ARTE. Um espetáculo que nasce do seio do agora. É o agora. É a lei do silêncio, o Balaio Café fechado, é o Teatro Nacional de Brasília jogado as traças, é o FAC e os sucessivos golpes, são os espaços particulares que se desdobram pra sobreviver, é o atraso dos editais da Funarte, é a Secretaria de Cultura do Recife que negou patrocínio pro Festival TREMA do Grupo Magiluth, é a dificuldade que Brasília tem pra circular pelo Brasil, é a Administração do Parque da Cidade que nos impede de ensaiar nos castelinhos por dizer que ali só podem crianças, enquanto antes de nós, havia casais fazendo sexo ali naquele mesmo lugar. Mas é também a eferverscência, as confraternizações de grupos que oGrupo Liquidificador têm realizado, a criação de novos grupos, o espírito de apoio e ajuda que cresceu com os revezes, a esperança que nasceu com Guilherme Reis na Sec. de Cultura, são os artistas que fizeram o aniversário mais brasiliense que Brasília já teve, é A CURVA.

Que venham os próximos obstáculos, os próximos espetáculos, os próximos editais, os próximos festivais, nós estaremos aqui!"

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Brasília, DF
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